DESARRANJO
A TERRA, sem dúvida, na atualidade, nos parece uma casa em desarranjo – uma casa submetida à indispensável reforma, em que tudo parece fora de lugar.
Natural que seja assim, compreendendo que o mundo exterior é um retrato da condição da mente humana.
Toda casa, pela ordem ou desordem em que se apresenta, fala da situação espiritual de seus moradores – também é assim com o corpo físico que o espírito ocupa, quanto o é com o orbe que ele povoa.
Os conflitos sociais que grassam no mundo, exteriorizando-se em forma de guerra, violência, disputa de poder, regimes ditatoriais, crimes, etc, trazem à superfície o âmago do ser que, coletivamente, constitui a Humanidade terrestre.
Assim como um tumor é a exteriorização de grave foco de células doentes, os problemas humanos, evidenciando-se, se traduzem por quistos espirituais nocivos que colocam em risco o organismo social da Terra.
A causa da desarmonia que impera no ser coletivo está no ser individual – o que se vê por fora é efeito, e não causa.
A Terra não será um mundo de regeneração sem que a maioria dos espíritos que a habitam estejam dispostos a se regenerarem, ou, pelo menos, a darem início ao seu esforço de regeneração.
Necessário, pois, que o inconsciente coletivo da Humanidade queira a anseie por mudanças de fato, induzindo o consciente humano a trabalhar para colocar “a casa em ordem”.
A fim de dar a sua parcela de contribuição à construção da Nova Era, ninguém deve esperar pela iniciativa do outro.
Na casa de Lázaro, em Betânia, Jesus, advertindo Marta, sempre tão
ocupada com os afazeres transitórios da existência, disse-lhe: “Marta!
Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas cousas. Entretanto, pouco é
necessário, ou mesmo uma só cousa; Maria, pois, escolheu a boa parte e esta não
lhe será tirada”.
JOSÉ, Irmão. Hora de transição. Psicografado por
Carlos A. Baccelli. Uberaba, MG: Livraria Espírita Edições “Pedro e Paulo”,
2019.
