ALEGRIA DE VIVER
A VIDA é um poema de
beleza, cujos versos são constituídos de propostas de luz, escritas na
partitura da Natureza, que lhe exalta a presença em toda parte. Em
consequência", a oportunidade da existência física constitui um quadro à
parte de encantamento e conquistas, mediante cuja aprendizagem o Espírito se aformoseia
e alcança os páramos da realidade. Em todo lugar há sol e harmonia convidando à
paz e à participação no seu conjunto feliz. Somente a criatura humana, porém,
apresenta-se triste, assinalada pelas urzes morais que carrega das atitudes e
ações transatas, dos compromissos mal vivenciados, das realizações desastrosas,
transferindo de uma para outra etapa o que poderá lograr de uma vez, caso se
resolva pela solução das dificuldades de dentro para fora, a contributo de
esforço bem-direcionado.
A alegria, pois, de
viver, deve ser parte ativa do programa de construção pessoal da criatura
inteligente. Fruir toda a magia existente no painel universal, retirando as
maravilhosas concessões de completude que pairam ao alcance de todo aquele que
deseja elevar-se, livre de tormentos e de amarras com o passado.
O destino da criatura é a
liberdade, para onde segue com os olhos postos no futuro. Ser livre significa
não depender, optando pelo que lhe constitui emulação para a vitória; não ter
passado nem inquietar-se pelo futuro, vivendo amplamente o presente em transportes
de paz e alegria.
À medida que se amadurece
psicologicamente, a alegria de viver constitui uma razão poderosa para o
prosseguimento da atividade de iluminação. Tal alegria certamente não impede os
episódios de reflexão pela dor, de ansiedade pelo amor, de espera pela saúde,
de presença da enfermidade, de angústia momentânea, de inquietação diante do
que esteja ocorrendo. Esses fenômenos, que fazem parte do curso existencial,
não eliminam a alegria, antes dão-lhe motivo de presença, porque a cada desafio
segue uma vitória; após cada testemunho advém uma conquista; a cada
empreendimento de dor se apresenta um novo patamar de equilíbrio, fazendo que a
alegria seja constante e motivadora para a produção de novos valores.
A alegria proporciona ao
cérebro maior contribuição de enzimas especiais, encarregadas de produzir
saúde, facultando o riso, que é um estimulante poderoso para a fabricação de
imunoglobulina salivar (sIgA), portadora de fatores imunizantes, que propiciam
o constante equilíbrio orgânico, evitando a invasão de vários vírus e bactérias
perniciosos.
Quando se ri,
estimulam-se preciosos músculos faciais e gerais, eliminando-se toxinas
prejudiciais acumuladas, que terminam por intoxicar o indivíduo. Rir é uma
forma de expressar alegria, sem que a gargalhada estrídula, nervosa,
descontrolada, tome parte na sua exteriorização.
Risoterapia, hoje,
significa um recurso precioso para evitar determinadas contaminações, mas
também para auxiliar no restabelecimento de patologias graves, principalmente
as infecciosas mutiladoras, as degenerativas da máquina orgânica e vários
distúrbios nas áreas emocional e psíquica.
Assevera o Evangelho que
raramente Jesus sorria. Normalmente era visto chorar e quase nunca a sorrir.
Ele, que se apresentava como o ser mais perfeito que Deus ofereceu ao homem
para servir-lhe de modelo e Guia, como esclareceram os Espíritos ao eminente
codificador Allan Kardec. Parece paradoxal que chorasse... Trata-se de uma
contradição aparente. Suas lágrimas não eram de sofrimento, mas de compaixão,
esse sentimento superior e elevado de coparticipação que direcionava às
criaturas, que preferiam permanecer na ignorância a aproveitarem Suas lições
libertadoras. Era uma forma de expressar ternura pelos enfermos voluntários,
que nele teriam a terapêutica eficaz para se livrarem dos males que os
amarguravam, e, no entanto, relegavam a plano secundário, aturdidos pela busca
do quase nada imediato e fugaz.
Isso está demonstrado
quando fala da Sua Boa Nova de Alegria e se apresenta como a Porta das ovelhas,
a Luz do mundo, o Caminho, a Verdade e a Vida, o Pastor, o Messias, informando
que somos o sal da Terra, as ovelhas, os necessitados de todo jaez, dele necessitados
como Condutor e Psicoterapeuta para nossas inumeráveis deficiências e
enfermidades da alma.
O autoconhecimento revela
ao ser as suas possibilidades e limitações, abrindo-lhe espaços para a
renovação e conquista de novos horizontes de saúde e plenificação, sem
consciência de culpa, sem estigmas.
Por isso, a
Psiconeuroimunologia vem demonstrar que o estado de saúde pode ser conseguido
pelo próprio indivíduo que se resolve renovar e crer em si mesmo, nas suas
imensas reservas de energias, no valor das suas conquistas. Perfeitamente
compatíveis com a Lei de Causa e Efeito, as realizações positivas eliminam ou
diminuem o peso das negativas e prejudiciais.
A criatura humana é o seu
psiquismo. Conforme ele atua, assim se apresentam as manifestações do mundo do Eu
e do Self.
O pensamento, portanto,
bem-construído, age no mecanismo do sistema nervoso, no cérebro, e estes,
conjugados, produzem enzimas protetoras que tornam imune o organismo a muitas
invasões de agentes destrutivos, propiciando saúde.
A alegria de viver é
convite para uma existência rica de produções morais, espirituais, artísticas,
culturais, estéticas e nobres.
A fatalidade existencial
deixa de ser viver bem, que é uma das metas humanas, para bem viver, que é uma
conquista pessoal intransferível, especial, que jamais se altera ou se perde,
fomentando felicidade e trabalhando pela paz que todos almejam.
ÂNGELIS, Joanna de. Vida:
desafios e soluções. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Salvador, BA:
LEAL, 2013.

