AMOR FRATERNAL
“A TERRA é
fundo abismo onde se multiplica o desespero e a amargura reina” - afirma o
pessimismo. Mas o amor fraternal, que não persegue nem objurga, coloca mãos à
obra do soerguimento e tudo renova.
“Viver entre
os homens significa padecer em cada instante” - assevera o ódio. Todavia, o
amor fraternal toma as cruzes em que estão as criaturas de braços distendidos e
transforma as traves em rotas luminosas para a liberdade.
“Servir,
amar, perdoar, são expressões utópicas da fraqueza dos vencidos” - atesta a
desesperação. Sem embargo, o amor fraternal serve, ama, perdoa e gera clima de otimismo,
onde a ruína semeara destruição.
“Não valem os
esforços e as renúncias para aqueles que estão caídos” - atestam os que se
deixaram tisnar pela desdita. Porém, o amor fraternal se converte em degrau abençoado
e por ele se elevam os que jazem no sofrimento, alçando-os ao cume da vitória.
“A morte, sem
dúvida alguma, é a veneranda porta de liberdade, graças ao aniquilamento” -
impõe o cinismo materialista. E o amor fraternal rasga o túmulo, desvendando os
enigmas da imortalidade para abrir os braços ao transeunte da via redentora.
Há sempre lugar
para que o amor fraternal se manifeste. Se chove e alguém blasfema, ele aponta
a alegria do campo que reverdece. Se o sol arde e outrem reclama, ele fala do benefício
da claridade que enseja trabalho dos que necessitam viver. Se irrompe a guerra,
ele é o caminho da paz. Se governa a paz, faz-se o elo da fraternidade que
faculta o progresso. Fala-se muito de amor entre os homens da Terra. No
entanto, convertido em expressão de sexo em desvario, temo-lo confundido por
paixão animalizante e não passa de instinto procriativo, que a insensatez
corrompe...
Sugere-se tal
amor como solução simplista para todos os problemas. E a imposição não vai além
de arroubo oratório ou cometimento literário com que muitos se comovem e nada realizam...
O amor fraternal que recorda o Herói anônimo que se ocultou nos trapos da carne
para edificar a vida na humanidade de todos os tempos, é a alavanca promissora
e eterna de que podes dispor para alçar os que caíram e te ergueres na direção
da plenitude da vida.
Quando todos os
métodos te pareçam ultrapassados e quando todas as técnicas estiverem
desvitalizadas; quando as circunstâncias se manifestarem aziagas e as ocasiões
se fizerem pessimistas, aplica o amor fraternal sem pressa, sem reproche, sem imposição,
como alguém que dilui unguento balsâmico e perfumado sobre nodosa afecção
orgânica e conta com o milagre do tempo para resolver o impasse. Verás, então, reflorescer
a esperança, renascer a alegria, ressurgir a felicidade onde há pouco sobrenadavam
destroços, graças, agora, ao amor fraternal.
ÂNGELIS, Joanna de.
Celeiro de bênçãos. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. Salvador:
LEAL, 1992.
