BASES PARA A AUTORREALIZAÇÃO
JESUS, o mais
notável psicoterapeuta que a humanidade conheceu, afirmou: Vós sois deuses e
podeis fazer tudo quanto faço e muito mais, se quiserdes. Trata-se de uma
proposta-desafio para seres amadurecidos psicologicamente, capazes de
ambicionar o além do habitual, e que estão dispostos a consegui-lo. Para lograr
o êxito nesse tentame, é necessário possuir autoconfiança e fé, essa certeza
coerente que existe entre o desejar e o poder realizar, saindo do mesmismo
perturbador das ambições exclusivamente de natureza material, imediata.
Identificar-se
com um deus é ampliar os valores que dormem no íntimo e são desconsiderados.
Uma faísca sabedora do seu poder de combustão, que encontre substâncias fáceis
de arder, consegue produzir um incêndio. Quando alguém se identifica possuidor
desse recurso, pode atear o incêndio que devora os vícios e abre espaços
virgens para a instalação dos elevados potenciais do desenvolvimento pessoal.
Quem toma
conhecimento dos recursos próprios, dispõe de medida para avaliar as possibilidades
de triunfo e empenha-se para alcançá-lo, enquanto aquele que os desconhece
detém-se no pretexto da própria fragilidade, porque, no íntimo, assim o
prefere.
O ser
existencial tem o seu significado relevante, que necessita ser detectado e
utilizado com segurança. Os seus alicerces repousam nas camadas profundas do
inconsciente - as experiências do passado - e nas possibilidades imensas do seu
superconsciente - as conquistas que lhe cumpre lograr - debatendo-se nas
reminiscências do ontem e nas ambições do futuro. O ser existencial oscila
entre esses dois pólos, que contribuem para a realização feliz ou desventurada
no presente, a depender, naturalmente, das opções elegidas e do empenho
aplicado na sua execução.
Inicialmente é
lícito fazer-se uma avaliação do que são tesouros: os de ordem externa e os
interiores. Quais deles têm primazia para serem conquistados, e como fazer,
a fim de os conseguir.
O ser
fisiológico preferirá os de significado e aplicação imediata, enquanto o ser
psicológico analisará aqueles que têm primazia e dar-se-á conta da
necessidade desses que são externos como utilitários e aqueles que estão
internos, os permanentes. Sem abandonar os primeiros, dedicar-se-á à conquista
dos mais valiosos, que são os permanentes.
Nesse afã se
identificará com realidades que o fascinarão. Descobrirá que, em média, o ser
humano experimenta sessenta mil pensamentos por dia, o que demonstra a
grandeza, a majestade da sua organização mental, descobrindo quanto é nobre
aprender a utilizar desse tesouro abundante, que muitas vezes se perde em
círculo de viciações mentais, malbaratando tempo e oportunidade em lamentações,
queixas, pessimismo, desgaste das potências de que é constituído.
Reconhecerá a
necessidade de ser pessoa e não máquina, evitando o repetir-se monotonamente,
sem direcionamento para frente nem para o melhor. Aplicará cada pensamento mais
poderoso, de sentido profundo, de valor utilizável na construção do seu mais
adequado comportamento para a paz. Eliminará aqueles que são perturbadores e
podem ser substituídos amiúde, fomentando um clima psíquico de saúde com
respostas orgânicas de bem-estar.
Com essa atitude
mental vencerá o medo de adoecer, de envelhecer, de ficar pobre, de enfrentar
dificuldades, de morrer, pois compreenderá serem todos esses fatores
perfeitamente controláveis, desde que assuma a sua condição de deus e passe a
fazer tudo quanto é possível através do empenho pessoal.
A doença é
sempre acidente de percurso, jamais sendo uma realidade, antes é um estado
transitório, que pode ser ultrapassado, mesmo quando se apresente com
características expiatórias. Já que o ser é eterno, as manifestações orgânicas
e mentais desta ou daquela natureza fazem parte da transitoriedade do mundo da
forma. Não se justifica, dessa maneira, o medo de doenças.
O envelhecimento
não deve inspirar qualquer tipo de receio, porquanto a beleza de cada fase da
existência corporal encontra-se na atitude interior de quem observa o mundo
externo. As experiências nascem das vivências e para poder fruí-las é exigido o
patrimônio do tempo, no que ocorrem o envelhecimento do corpo e o
amadurecimento do Espírito.
A verdadeira
pobreza é interior, quando se perdem as aspirações de crescimento e realização
íntima. A financeira é sempre contornável, desde que o indivíduo se empenhe por
superá-la, e o trabalho é assim fonte geradora de recursos externos, enquanto
internamente aprimora o sentido de vida. Os verdadeiramente pobres perderam a
razão de viver e entregam-se, funestamente, aos prazeres perturbadores, aos
gozos desgastantes, aos jogos da ilusão cansativa...
... E a morte, a
grande devoradora da vida, desmitifica-se e já não inspira qualquer receio,
porque ela faz parte do processo existencial, como forma de desenvolvimento do
ser profundo, que experimenta, etapa a etapa, novos mecanismos de elevação.
O processo de
envelhecimento, por ser portador de muita beleza, é lento, biologicamente
bem-elaborado, proporcionando o tesouro da sabedoria, em forma de discernimento
lúcido, propiciador de harmonia íntima e de auto entrega, após o ciclo da
existência física.
O ato de
aprender a amar tudo quanto se faz, a realizar bem tudo quanto se gosta, a
repartir com todos as alegrias e esperanças da vida em triunfo, dá significado
pleno ao ser existencial, que agora pode fazer tudo quanto Jesus realizou,
identificando-se com Deus.
Enquanto isso, o
ser fisiológico está desfrutando das regalias das sensações, emaranhando-se no
cipoal das paixões, até ser despertado pelos choques do processo evolutivo, que
podem ser as dores, as preocupações profundas, as amargas decepções, ou os
maravilhosos apelos do amor pela beleza, pela necessidade de harmonia e de paz.
E
indispensável estar acordado, desperto para a realidade do ser, consciente das
suas responsabilidades e objetivos reais nos desafios existenciais, encontrando
todos os significados e desenvolvendo-se.
ÂNGELIS, Joanna
de. Vida: desafios e soluções. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.
Salvador: LEAL, 2014.
